Novo medicamento para tratamento da endometriose

                Estudo científico publicado no mês de julho de 2012 sobre a qualidade de vida das mulheres portadoras de endometriose mostrou que ela pode estar diminuída independentemente do grau de acometimento da doença, seja na forma mínima ou em casos mais avançados, reforçando a ideia de que não devemos negligenciar os sintomas das pacientes com doença considerada como “mínima”.

                Outro recente estudo mostrou que células endometriais presentes nos focos ectópicos de endometriose são menos susceptíveis a apoptose (morte celular programada) fenômeno envolvido na regulação do número de células desnecessárias de um organismo, demonstrando assim uma maior capacidade de sobrevivência destas células.

                Lançado no Brasil um novo medicamento para o tratamento da endometriose em longo prazo, o dienogeste que parece ter uma boa ação na diminuição da dor provocada por esta doença.

Massagem abdominal para dor pélvica crônica

          Um estudo independente publicado no Journal of endometriosis em fevereiro de 2012 sobre o emprego de uma técnica de massagem manual realizada na região do abdome pélvico de mulheres com dor pélvica crônica e endometriose, conhecida como técnica de Wurn mostrou resultados positivos na diminuição da dor pélvica crônica, cólicas menstruais e dor à relação sexual e com melhora da função sexual. Por ser um estudo retrospectivo e prospectivo merece uma melhor avaliação para validar estes resultados.

            A endometriose é caracterizada por seis grandes desafios:

                        -Geralmente o diagnóstico é tardio

                        -Ainda há dúvidas sobre as diversas causas da doença

                        -A doença é crônica e recorrente

                        -Afeta mulheres jovens

                        -É acompanhada de dor crônica e dor durante relação

                         sexual

                        -Pode levar à infertilidade

            Por isso muitas portadoras de endometriose necessitam de acompanhamento psicoterápico para minimizar essas emoções negativas.

Custo do tratamento da endometriose

         Um estudo publicado na revista Fertility and Sterility de 2012 mostrou que pacientes portadoras de endometriomas ovarianos tiveram taxas de sucessos de FIV inferiores quando comparadas com pacientes que recorreram à FIV por outros motivos.

            Em um estudo prospectivo publicado pelo professor Steven Simoens, da Universidade de Leuven, na Bélgica mostrou com certa fidelidade o custo direto e indireto do tratamento da endometriose em diversos países da Europa.

            Segundo este pesquisador o custo médio é 9.579 € por mulher/ano, sendo 2/3 deste valor como perda de produtividade e 1/3 como gasto direto com o tratamento. Em outras palavras, o custo financeiro com a incapacidade para o trabalho é o dobro do custo direto com o tratamento.

            Os custos com o tratamento foram principalmente devido a:

                        -Cirurgia (29%)

                        -Exames para o diagnóstico e controle (19%)

                        -Hospitalização (18%)

                        -Consultas médicas (16%)

Laparoscopia robótica x laparoscopia convencional

            Há cerca de 10 anos o FDA aprovou o uso do robô como uma ferramenta para auxiliar as cirurgias vídeo assistidas como a laparoscopia.

            Para discutir a real importância da robótica nas cirurgias para tratamento de endometriose pélvica, durante uma reunião científica, foram convidados dois  cirurgiões experientes: o professor John Steege dos E.U.A e o professor Philippe Koninckx da Bélgica aos quais foi feito a seguinte pergunta:

            “A laparoscopia robótica é mais eficiente que a laparoscopia convencional no tratamento cirúrgico da endometriose? “

            Segundo estes cirurgiões, algumas cirurgias como colecistectomia (retirada da vesícula biliar), apendicectomia (retirada do apêndice), laqueadura tubária entre outras foram prontamente incorporadas pela técnica vídeo assistida, provavelmente por serem de menor complexidade cirúrgica.

            Porém em casos de endometriose as dificuldades são maiores, concordaram esses cirurgiões. O grau de acometimento dos orgãos pela endometriose pode variar muito, além disso somente em alguns casos conseguimos fazer uma boa avaliação pré cirúrgica através dos exames de imagem como ultrassom, ressonãncia magnética e outros.

            Os fabricantes dos robôs para videocirurgia propagam que a visão 3D ajuda na visualização de 30% a mais das lesões de endometriose o que ainda não foi comprovado científicamente. Porém está se tornando verdade que em casos de endometriose infiltrativa grave assim como em cirurgia de retirada de próstata no homem o uso da robótica pode facilitar e melhorar o resultado da cirurgia.

            O uso da robótica em medicina ainda é uma opção cara, ainda não incluída no rol de procedimentos dos planos de saúde no Brasil, mas com o passar do tempo veremos que o seu uso se tornará uma rotina como já tem acontecido em alguns serviços aonde o robô já se encontra disponível.

            Devemos porém lembrar que não é o robô que faz a cirurgia e sim o cirurgião. Portanto, o que realmente faz a diferença é a experiência e a destreza do cirurgião, a técnica é somente um facilitador.

Conscientização

            É um mito dizer que a endometriose não acomete as adolescentes. Algumas pesquisas indicam que até dois terços das mulheres portadoras de endometriose tem sintomas relevantes antes dos vinte anos de idade. Isto significa que os sintomas em adolescentes precisam ser levados a sério, embora reconhecendo que nem toda dor menstrual é necessariamente devido à endometriose.

            Se você é adolescente ou tem familiares adolescentes cuja dor menstrual é incapacitante ao convívio social procure se informar sobre a endometriose.

            Preocupados com o aumento desta doença, entidades de apoio a estas mulheres de várias partes do mundo vão realizar no próximo mês a semana de conscientização sobre a endometriose.

                                                   EndometriosisAwareness2012-block

Endometriosis Awareness Week in Europe, Africa, Australasia, and South America is 5 – 11 March 2012, and in the United States and New Zealand it is for the entire month of March.

 

 

 

Fatores de stress em Endometriose

         Artigo científico publicado no Journal of Endometriosis sugere que mulheres portadoras de endometriose podem vivenciar experiências negativas induzidas por pelo menos seis desafios e fatores de stress, são eles:

  • A descoberta da doença é geralmente tardia
  • As causas da doença ainda não estão bem estabelecidas
  • É uma doença crônica e recorrente
  • Afeta mulheres jovens
  • Geralmente é acompanhada de dor crônica e por vezes incapacitante
  • Pode levar à infertilidade

Segundo os autores deste artigo, esses fatores já são motivos suficientes para que seja incluído no protocolo de tratamento das portadoras de endometriose o acompanhamento psicoterápico, que além de contribuir para diminuir as emoções negativas destas mulheres as ajudam a tomar decisões mais equilibradas.

Dor pélvica e endometriose

Dor pélvica e endometriose

     A associação entre endometriose e dor pélvica é largamente conhecida e aceita, porém nem sempre está associada á quantidade e localização das lesões por ela provocada. Dor pélvica crônica pode estar associada a várias outras doenças como síndrome do cólon irritável, cistite intersticial entre outras, mas a endometriose é considerada a causa mais comum na mulher. Por isso, é importante olhar clinicamente a portadora de endometriose como um todo e considerar outros fatores que podem contribuir para a sua dor.

Segundo estudos recentes a intensidade da dor pélvica crônica pode variar de intensidade entre as pessoas, podendo estar associada a variações do volume da massa cinzenta cerebral, sendo esta inclusive influenciada por tratamentos hormonais.