Massa corporal das mulheres e endometriose avançada

Vários estudos já publicados anteriormente associam inversamente a massa corporal da mulher à presença de endometriose, porém um novo estudo publicado recentemente no “Journal of Endometriosis” mostrou que a obesidade pode estar diretamente associada ao aumento da gravidade da doença e à redução da frequência de endometriose em estágios menos agressivos. Ainda não está claro qual o papel do índice de massa corporal na causa ou efeito da endometriose, porém especula-se que possa estar ligado a variações hormonais.

Mecanismo da dor na endometriose

O complexo mecanismo que sustenta a origem e a manutenção da dor pélvica associada à endometriose, felizmente esta cada vez sendo mais bem compreendido e relaciona-se à interação entre os sistemas nervoso periférico e central. Fatores angiogênicos (angiogênese é o termo usado para descrever o mecanismo de crescimento de novos vasos sanguíneos a partir dos já existentes), neurogênico (por exemplo, fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e fator de crescimento do nervo (NGF) que também respondem à estimulação do hormônio estradiol, das prostaglandinas e das citocinas são relatados como aumentados no liquido peritoneal de mulheres com endometriose e acredita-se que suportem a sobrevivência das lesões endometrióticas.

Estas lesões enviam sinais aos neurônios da medula espinhal que ativam neurônios interconectados no cérebro por meio de sinapses inibitórias e excitatórias ascendentes e descendentes no sistema nervoso central. Assim, pensa-se que o microambiente endócrino e inflamatório que rodeiam os implantes contribuem para os mecanismos da dor na endometriose.

Gestrinona e Endometriose

A Gestrinona, um progestágeno sintético, foi muito utilizado para o tratamento da endometriose por mais de três décadas. Verificou-se ser uma droga bastante eficaz, no entanto, quando administrado por via oral apresenta acentuada ocorrência de efeitos adversos colaterais androgênicos o que impediu sua maior aceitação por parte das mulheres.

Por essa razão, uma via não oral, não invasiva, de fácil manejo e posologia confortável (duas vezes na semana) está cada dia sendo mais utilizada. Estudos mostram que o uso da gestrinona através da vagina e sempre que possível associada à ingestão de polifenóis antiinflamatórios é altamente eficiente no combate a endometriose, especialmente nos casos mais avançados e infiltrativos, com reduzida manifestação de efeitos androgênicos.

Novo medicamento para o tratamento da Endometriose

Durante o encontro anual do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (American College of Obstetricians and Gynecologists) ocorrido no mês passado em Austin no Texas foram apresentados novos resultados sobre os estudos fase 3 de um novo medicamento a ser lançado. O palestrante, Dr. Eric Surrey, afirmou que os achados mostram que o Elagolix é uma nova terapia oral segura e eficaz para mulheres com endometriose sintomática. A conclusão da análise pelo FDA (US Food and Drug Administration) é aguardada ainda neste ano de 2018, para então ser lançado no mercado.

Endometriose e câncer de ovário

Doença feminina geralmente benigna, a endometriose raramente se transforma em câncer. Quando isto acontece geralmente ocorre nos ovários, a partir de um endometrioma (cisto de endometriose no ovário). A prevalência de câncer ovariano nas mulheres portadoras de endometriose varia de 0,7 a 17% sendo mais encontrado em pacientes na 4ª e 5ª década de vida, especialmente após a menopausa.

O tumor que mais comumente se desenvolve a partir do endometrioma é o carcinoma endometrióide seguido pelo carcinoma de células claras. Segundo os estudos o estresse oxidativo, a inflamação, o hiperestrogenismo e as alterações genéticas podem ser os fatores responsáveis por esta transformação.

Mês da conscientização sobre endometriose

O mês de março, em todo o mundo, é considerado o mês de conscientização sobre a Endometriose. Vários eventos acontecem com o objetivo de esclarecer, não só a população, como os governantes sobre a importância desta doença que afeta cerca de 176 milhões de mulheres em todo o mundo e que pode ter um efeito devastador sobre a qualidade de vida destas mulheres, além de ser atualmente uma das principais causas de infertilidade.

Em muitos países é considerada uma doença de interesse público, pois provoca um enorme custo pessoal e social.

O objetivo desses movimentos é aumentar as informações sobre esta doença e tentar promover acesso da população feminina a serviços de cuidados especializados não só na rede privada de saúde como na pública.

Medicamentos promissores para tratamento da endometriose.

A endometriose é uma doença dependente do hormônio chamado estrogênio definida como a presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade do útero.

O excesso deste hormônio, assim como a resistência à ação de outro hormônio denominado progesterona e a um processo de inflamação, são os principais mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento e progressão desta doença.

Estudos recentes ainda em desenvolvimento têm sinalizado que drogas como o ácido retinoico (forma oxidada da vitamina A) e a sinvastatina, usados respectivamente para tratamento da acne e hipercolesterolemia (aumento do colesterol), não obstante aos seus efeitos colaterais e teratogênicos, tem mostrado um efeito promissor no combate a esta doença.

Variações fenotípicas no tratamento da endometriose

Estudos apresentados no congresso da American Society for Reproductive Medicine em outubro deste ano deixam claro que o desafio na procura do controle dos sintomas da endometriose tem que ser persistente. Muito se discutiu porque algumas pacientes não se adaptam a um mesmo tratamento.

Parece que isto está ligado ao fenótipo de cada mulher, logo é ele que poderá determinar o sucesso do tratamento, sugerindo quais tratamentos funcionam e para quem. Fenótipo são características observáveis de um organismo como morfologia, propriedades bioquímicas entre outras. O fenótipo resulta da expressão dos genes do organismo.

Realmente está se tornando evidente que o caminho a seguir no tratamento da endometriose é o da medicina de precisão voltada para “fenótipos” específicos (subtipos) desta doença.

As emoções como causa de adoecimento.

Viver com saúde depende de como lidamos com o nosso corpo, ou seja, como nós interagimos com a nossa alimentação, com a prática de atividade física regular, com o lazer, trabalho, repouso e também com as nossas emoções.
O corpo adoece quando há um desequilíbrio entre as agressões que sofremos no dia a dia devido a vários fatores e nosso sistema de defesa. Fatores estes que podem ter origem externa ou interna.
Os fatores internos talvez sejam os mais importantes, também são conhecidos como fatores emocionais, pois se referem aos efeitos nocivos das emoções excessivas sobre os órgãos.
As emoções por si só não são causadoras de doenças, pois são inerentes à natureza humana. Porém, dependendo da maneira como vivemos e interpretamos estas emoções elas podem alterar nosso sistema de defesa contribuindo para o aparecimento de doenças.
A endometriose é um exemplo de doença em que fatores emocionais não resolvidos ou mal resolvidos influenciam na sua gênese e persistência.

Aleitamento materno associado ao menor risco de endometriose

Um estudo realizado e publicado por investigadores do Brigham and Women’s Hospital de Boston mostrou que mulheres que amamentaram por longos períodos de tempo tiveram um risco significativamente menor de serem diagnosticadas com endometriose, oferecendo novas informações sobre uma condição que, até agora, apresentou poucos fatores de risco conhecidos e modificáveis. A duração da amamentação total e exclusiva foi significativamente associada à diminuição do risco de endometriose.

O estudo mostrou, portanto, que a amamentação foi inversamente associada ao risco de endometriose incidente. Este benefício pode ser devido a amenorréia (falta de menstruação) pós parto assim como por outros mecanismos.

Devido à natureza crônica e incurável da endometriose, o aleitamento materno deve ser incentivado para minimizar os riscos de endometriose naquelas já portadoras ou nas que por ventura possam desenvolvê-la mais tardiamente após uma gravidez. Este estudo reforça a importância sobre os benefícios da amamentação tanto para a mãe quanto para a criança.