“Uso de cannabis, uma estratégia de autogestão entre mulheres australianas com endometriose: resultados de uma pesquisa online nacional”

Objetivo: este estudo procurou determinar a prevalência, tolerabilidade e eficácia da cannabis em mulheres com endometriose.
Método: Uma pesquisa transversal online foi conduzida entre outubro e dezembro de 2017. O recrutamento foi direcionado às mulheres com endometriose por meio de publicações nas redes sociais de grupos de defesa da endometriose. Mulheres de 18 a 45 anos, residentes na Austrália e com endometriose confirmada cirurgicamente eram elegíveis para participar. As perguntas da pesquisa investigaram os tipos de autocuidado usados, mudança nos sintomas ou no uso de medicamentos, custos e eventos adversos.
Resultados: um total de 484 respostas foi incluído para análise, com 76% das mulheres relatando o uso de estratégias gerais de autogestão nos últimos 6 meses. Daqueles que usam autocuidado, 13% relataram o uso de cannabis para o controle dos sintomas. A eficácia na redução da dor foi alta (7,6 de 10), com 56% também capazes de reduzir os medicamentos em pelo menos metade. As mulheres relataram as maiores melhorias no sono e nas náuseas e vômitos. Os efeitos adversos foram infrequentes (10%) e menores.
Conclusão: a lei australiana atualmente exige que o uso de cannabis medicinal legal siga caminhos regulamentados específicos que limitam a prescrição por este método; no entanto, o uso ilícito autorreferido de cannabis permanece relativamente comum em mulheres australianas com endometriose. As mulheres relatam boa eficácia da cannabis na redução da dor e outros sintomas, com poucos efeitos adversos relatados. Mais pesquisas clínicas são necessárias para determinar a eficácia da cannabis no controle dos sintomas da endometriose. Em locais onde a cannabis medicinal é mais acessível, ainda existem poucas evidências de sua eficácia clínica com sintomas associados à endometriose.
Fonte: J Obstet Gynaecol Can. Março de 2020

7 sintomas que podem sugerir endometriose

A endometriose é frequentemente uma condição desafiadora para o diagnóstico. Faz com que tecidos semelhantes aos que normalmente recobrem internamente o útero (endométrio) cresçam fora do útero. Seus sintomas podem não ser claros e semelhantes aos sintomas de outras condições. Por esse motivo, muitas mulheres experimentam sintomas de endometriose por até 10 anos ou mais antes de receberem o diagnóstico e o tratamento adequado.
Um diagnóstico precoce da endometriose pode ajudá-la a gerenciar melhor seus sintomas. Portanto, é importante conhecer os sinais e sintomas e conversar com seu médico se você estiver tendo algum.
1-Dor, especialmente cólicas menstruais excessivas que podem ser sentidas no abdômen ou na região lombar
2-Dor durante a relação sexual
3-Fluxo menstrual anormal ou intenso
4-Infertilidade
5-Micção dolorosa durante os períodos menstruais
6-Evacuações dolorosas durante os períodos menstruais
7-Outros problemas gastrointestinais, como diarreia e/ou constipação.
É importante notar que a quantidade de dor que uma mulher experimenta não está necessariamente relacionada à gravidade da doença. Algumas mulheres com endometriose grave podem não apresentar sintomas, enquanto outras com uma forma mais branda da doença podem ter dor intensa ou outros sintomas.

Endometriose e congelamento de óvulos

A endometriose é uma séria condição que acomete cerca de 15% das mulheres em idade reprodutiva. É atualmente uma das principais causas de infertilidade feminina. Isto se deve devido a presença de endométrio em outros órgãos da região pélvica podendo gerar aderência pélvicas, e com isso alterações da anatomia da pelve, piora na qualidade dos óvulos e diminuição da reserva ovariana (número de óvulos presentes nos ovários).
O congelamento de óvulos é uma técnica de reprodução humana assistida que permite a preservação dos gametas femininos de uma paciente para serem utilizados em um tratamento de fertilização in vitro no momento que ela desejar. Esta já é uma técnica muito indicada para casos de preservação de fertilidade em mulheres diagnosticadas com câncer, mas que também auxilia em tratamentos de mulheres acometidas pela endometriose que desejam postergar uma gravidez.

Endometriose e resultados adversos na gravidez

Uma pesquisa bibliográfica computadorizada realizada revelou evidências que mulheres com endometriose apresentam maior risco de efeitos adversos na gravidez. Os mais encontrados na literatura foram: maior incidência de aborto espontâneo, parto prematuro, ruptura prematura da bolsa amniótica, placenta prévia, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, bebês pequenos para a idade gestacional, descolamento da placenta, acretismo placentário, distocia funcional do parto, aumento da incidência de parto cesariana e hemorragia pós- parto.
A possível explicação é que a endometriose e as complicações obstétricas possam compartilhar mecanismos fisiopatológicos comuns, nos quais a ativação anormal da inflamação, alterações estruturais e funcionais na zona juncional do útero e o peristaltismo uterino perturbado podem desempenhar papéis importantes.

Fisioterapia pélvica na dor da endometriose

A dor pélvica crônica é uma manifestação comum entre as mulheres e a causa mais comum na atualidade é a provocada pela endometriose. Infelizmente, muitas mulheres continuam sentindo dor visceral e disfunção sexual apesar do tratamento ideal. A fisioterapia pélvica geralmente desempenha um bom papel coadjuvante na abordagem deste tipo de dor.
As modalidades técnicas de fisioterapia podem incluir relaxamento da musculatura pélvica através de terapia manual e alongamentos além de técnicas de respiração reconhecendo a importância da relação mente/corpo.

Homeopatia e Endometriose

A Endometriose é uma doença ginecológica atualmente frequente, que afeta negativamente a vida de muitas mulheres. Mas o que muitas não sabem, é que a homeopatia é uma terapêutica que pode ajudar no controle desta doença.

A homeopatia considera o paciente como um “todo”, e não apenas a sua doença. Desta forma, não é uma “Endometriose” que vai se consultar, mas sim, uma mulher portadora de endometriose com uma história própria, um sofrimento que a difere de qualquer outra mulher que também possa ter esta doença.
Existe uma pessoa por trás da endometriose, e as terapias alternativas consideram isto, tratando não apenas os sintomas desta doença, mas também as questões emocionais como o estresse, a ansiedade, o perfeccionismo entre outros.
O tratamento homeopático, como terapia adjuvante para essas pacientes visa o fortalecimento do sistema imunológico, a diminuição da inflamação, o alívio da dor, o equilíbrio hormonal e a melhora da fertilidade.

Fatores imunológicos na endometriose

Apesar das lacunas em nossa compreensão sobre a patogênese da endometriose, há substancial evidência sobre o papel de fatores imunológicos no aparecimento e manutenção da endometriose inclusive nos casos de infertilidade associada a esta doença.
Estas alterações imunológicas incluem aumento do número e ativação dos macrófagos peritoneais, diminuição da reatividade das células T e NK e aumento de autoanticorpos. É comum encontrarmos outras doenças autoimunes associadas à endometriose como artrite reumatóide, doença de Crohn, entre outras.
Devido a isso, drogas imunomoduladoras utilizadas no controle destas doenças também estão sendo testadas no tratamento da endometriose.

Cannabidiol Medicinal e Endometriose

A endometriose é uma doença crônica não totalmente compreendida, mas sabe-se que a inflamação tem um impacto significativo no desenvolvimento e progressão da doença, provocando na maioria das pacientes dores pélvica e cólicas menstruais debilitantes.

No organismo de vários animais inclusive no humano, há um sistema denominado endocanabinóide (ECS), que inclui receptores de proteína conhecidos como receptores canabinóides (CB1 e CB2).

Estes receptores têm a capacidade de regular processos vitais como humor, dor, sono, apetite, imunidade, memória. Promove diminuição da dor, aumenta a resposta do sistema imunológico e ainda reduz processos inflamatórios.

Estudos mostram que mulheres portadoras de endometriose apresentam uma deficiência na produção de CB1. Então, estimular a produção de CB1 é vantajoso. Eles também mostram que agentes canabinóides exógenos podem estimular a produção de canabinóides endógenos no organismo.

Vários estudos têm mostrado evidências que o Cannabidiol (CBD) composto não psicoativo encontrado na planta Cannabis Sativa estimula os receptores CB1 promovendo alívio da dor em várias doenças inclusive nas pacientes portadoras de endometriose.

Endometriose na pré menarca e pós menopausa

Por ser uma doença hormônio dependente a endometriose manifesta-se primariamente entre a menarca (primeira menstruação) e a menopausa, mas a doença já foi descrita em meninas pré-menarca e mulheres após a menopausa.

Uma teoria mais recente sugere que a endometriose pode se originar de células tronco ou progenitoras presentes no sangramento neonatal retrógado que pode ocorrer em recém nascidas como resultado da retirada dos hormônios esteróides da placenta logo após o nascimento.

Essa hipótese é apoiada pela presença de sangramento uterino neonatal em aproximadamente 5% dos recém-nascidos, pela ocorrência rara de endometriose em meninas na pré-menarca e pela ocorrência de endometriose grave em algumas adolescentes.

Massa corporal das mulheres e endometriose avançada

Vários estudos já publicados anteriormente associam inversamente a massa corporal da mulher à presença de endometriose, porém um novo estudo publicado recentemente no “Journal of Endometriosis” mostrou que a obesidade pode estar diretamente associada ao aumento da gravidade da doença e à redução da frequência de endometriose em estágios menos agressivos. Ainda não está claro qual o papel do índice de massa corporal na causa ou efeito da endometriose, porém especula-se que possa estar ligado a variações hormonais.